Cores na fotografia – Figurino

Dando continuidade a nossa série sobre o uso das cores na fotografia, hoje falaremos sobre o figurino. Pode parecer uma das tarefas mais simples e uma variável fácil de controlar, mas não é exatamente assim. Vamos entender um pouco como as escolhas podem nos trazer resultados surpreendentes e como contornar pequenos contratempos.

De onde vem o figurino?

Este é o primeiro desafio, afinal, se estivermos tratando do guarda-roupas da própria modelo ou cliente, é bem razoável pensar que essa pessoa não tenha peças de todas as cores, muito menos no estilo que vocês idealizaram a sessão. Imagine que você pensou em um look em tons quentes, mas a modelo tem principalmente roupas de cores escuras? Claro que neste caso, não há o que pensar, você vai precisar se adaptar ao que é possível no momento e fazer o seu melhor com isso.

A escolha do azul aqui foi em função do contraste com a tonalidade dos cabelos

Entretanto, se você realmente precisa que as roupas tenham este padrão de cores, existe a possibilidade de tentar parcerias com lojas que tenham o estilo que você precisa. Assim todos saem ganhando e você terá de volta boa parte do controle criativo da sessão. Lembrando que modelo e loja precisam estar em comum acordo quando ao uso da imagem, não esqueça disso jamais!

O que as cores nos contam?

Como storyteller, cada elemento da minha fotografia precisa fazer parte de uma história. O figurino é a segunda parte mais importante desta equação no contexto das cores. A escolha não apenas do estilo, mas das cores, vai ser a conexão direta com a personalidade da pessoa fotografada. Levar isso em consideração é, então, algo indispensável. Pensando assim, muito provavelmente as melhores escolhas já estarão no próprio guarda-roupas da modelo.

Por outro lado, se estivermos falando de um trabalho comercial, o principal critério serão as cores da estação ou a cor do ano por exemplo (a cor de 2020 é o Classic Blue, você pode ver mais sobre isso clicando aqui). Geralmente estas escolhas são feitas quanto a cliente é uma modelo que está compondo teu portfólio ou algo do tipo. Se o trabalho for para uma marca, o mais provável é que estas escolhas não estejam sob o teu controle, nestes casos, relaxe e deixe que as produtoras se encarreguem de tudo.

Somando os fatores

Já escolhemos os cenários no artigo anterior, agora estamos definindo o figurino. Quanto mais variáveis acrescentamos à esta equação, mais elas precisaram conversar entre si. O que eu recomendo é que um trabalhe em função do outro para que você tenha mais flexibilidade na hora de executar a sessão.

Por exemplo, se a preferência foi por um determinado cenário, faça com que a escolha dos looks valorize tanto a modelo, quanto o cenário. Caso a lógica seja inversa, a prioridade é o look, você deve escolher um cenário mais “coringa”, que permita mais variações para que o look apareça e brilhe nas fotos.

As cores do look e do local estão dialogando para valorizar a foto

Não esqueça que conhecer a psicologia das cores pode garantir uma comunicação ainda mais efetiva da mensagem que a tua sessão quer transmitir. Já percebeu como algumas sessões, como mamãe e bebê por exemplo, quase sempre estão em tons pasteis? Estejam atentos a isso para garantir que a sua foto transmita exatamente aquilo que você gostaria que ela transmitisse (não que isso seja totalmente possível, mas deixemos este assunto para outro artigo).

Resumindo…

O figurino já é parte fundamental do ensaio por si só. Para além disso, as cores devem cumprir sua função de comunicar e guiar o pensamento do expectador para aquilo que o trabalho quer transmitir. Novamente recomendo que vocês estudem a psicologia das cores, que todo profissional de artes visuais tem obrigação de conhecer muito bem. Como está a escolha de figurino das suas sessões? Comentem aqui embaixo suas dúvidas e compartilhem suas experiências. Nos vemos no próximo artigo. Até lá!

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