Verdade ou mentira? Confira agora 6 mitos da fotografia que todos já ouvimos

Modelo em frente ao Cine São Luiz, no Recife

A fotografia está em alta! Nossos celulares nos tornam verdadeiros fotógrafos amadores e com isso, um mundo de informações chega até nós. Mas você sabe diferenciar os mitos dos fatos fotográficos? Nos stories do instagram eu fiz 6 perguntas para os seguidores e os resultados foram muito interessantes. Pelas respostas dos seguidores é possível perceber que alguns mitos ainda persistem, vamos conhecê-los?

Toda foto precisa de tratamento

Resposta dos seguidores: sim
Resposta curta: sim

Esse placar foi bem apertado, mas acredito que mesmo quem acertou, talvez não tenha percebido um detalhe super importante: a pergunta é sobre tratamento, e não edição. 

O tratamento é fundamental para qualquer fotografia. Neste processo, semelhante a antiga revelação nas câmeras analógicas, são realizados ajustes de exposição (luz) e de cores (temperatura e tons de pele essencialmente). A edição é um processo mais complexo, pode ir desde uma remoção de elementos que atrapalham a composição até mudanças mais drásticas para fins artísticos ou de melhoramento no elemento fotografado.  Abaixo, um exemplo de uma foto que passou por um processo de edição, você seria capaz de identificar os elementos editados desta foto?

Edição preto e branco salva foto ruim

Resposta dos seguidores: sim
Resposta curta: não

Confesso que coloquei essa pergunta de propósito, pois já fazia uma ideia de como seria o resultado. Existe um mito na fotografia de que se a foto está ruim, faz uma edição em preto e branco que fica “legal”.

Primeiro vamos definir o que é uma foto ruim. Não vou aqui falar de regras de composição ou questões técnicas, vou utilizar o critério mais prático possível. Uma foto pode ser considera ruim se ela não cumpre o seu propósito. Imaginem um ensaio de casal que não consegue transmitir o amor que eles sentem um pelo outro. Ou uma fotografia de rua que não consegue captar a atmosfera do local fotografado. Isso são exemplos de fotografia ruim, ainda que ela esteja seguindo todas as chamadas regras da fotografia.

Mas vamos considerar de qualquer modo o critério da qualidade técnica. Pense em uma foto fora de foco, ou com uma composição que causa incômodo. Você acha mesmo que apenas fazer uma edição em preto e branco vai fazer com que estes problemas descritos sejam ignorados? As boas fotografias em preto e branco são pensadas para serem assim. Aliás, a foto da capa deste artigo é um bom exemplo disso (e por isso mesmo foi escolhida).

Fotógrafo profissional só usa o modo manual da câmera

Resposta dos seguidores: sim
Resposta curta: não

Este é mais um mito que de certa forma é alimentado por nós, fotógrafos. É verdade que a enorme maioria das vezes, estamos mesmo fotografando em modo manual. Contudo, há situações em que os automatismos da câmera nos ajudam a minimizar erros e sermos mais rápidos em nossos cliques. Isso acontece especialmente com fotógrafos que cobrem eventos, onde um segundo pode significar perder aquele olhar, aquela expressão que vai render muitas vezes a foto mais importante de todo o evento.

As vezes até mesmo em situações de ensaios costumamos usar. Não é tão comum, mas muitas vezes nos proporciona mais segurança e mais agilidade. Como tempo é ouro, não custa nada usar os recursos que a câmera tem a oferecer.

Os melhores horários para fotografar são cedo da manhã e final da tarde

Resposta dos seguidores: sim
Resposta curta: sim

Este é um mito – ou melhor, um fato – bem conhecido entre os amantes da fotografia. As luzes no amanhecer e no crepúsculo tendem a ser mais suaves, gerando sombras menos marcadas. Além disso, as cores mudam nestes dois horários gerando efeitos que se bem gerenciados, nos surpreendem positivamente.  Nessa a esmagadora maioria dos seguidores mandou bem e respondeu sim. 

Para quem duvida que o amanhecer também nos oferece luz e cores tão belas quanto o entardecer, a foto abaixo foi tirada entre as 5h e as 6h da manhã. As cores da manhã são diferentes e puxam mais para o magenta do que para o laranja do final da tarde, pelo menos aqui no Nordeste. Na sua região também é assim? 

Modelo pensativa sentada a beira da praia de Tambaú, Paraíba

Há desperdício de alimentos na fotografia publicitária

Resposta dos seguidores: não
Resposta curta: sim

Pessoas, sinto muito desapontá-los, mas há sim desperdício de alimentos na fotografia publicitária. Existem muitos truques feitos para deixar o alimento fotografado mais interessante, bonito e com aspecto que deixa você com vontade de comprar na hora. Boa parte destes truques acabam por tornar a comida imprópria para o consumo, e aí não tem jeito, é lixo mesmo.

Aqui o “não” foi a resposta de quase 100% das pessoas e de certa forma fico feliz que vocês pensem assim, se tem algo que acho intolerável é ver comida sendo jogada fora. Alguns dirão que é quase impossível fazer fotografia publicitária sem algum desperdício, essa é uma discussão que daria um post inteiro só para tratar deste assunto. Um detalhe importante: no meu trabalho isso jamais aconteceu, todo alimento é fotografado e consumido.

Fotografar modelos profissionais é mais fácil que fotografar pessoas comuns

Resposta dos seguidores: sim
Resposta curta: não

Coloquei esta pergunta como uma pegadinha. Queria fazer uma provocação com vocês, mas para a minha surpresa, o placar foi bem apertado. A exemplo da primeira afirmação deste post, precisamos de alguns cenários para responder essa pergunta:

Se compararmos baseados em uma sessão publicitária, seja de moda ou qualquer outro propósito, obviamente a resposta será sim. Mas se a comparação for entre um ensaio comum – como um ensaio de casal por exemplo – a resposta será não. Veja as imagens abaixo, são fotos diferentes, com propósitos distintos, mas o grau de dificuldade para conseguir ambas foi o mesmo.

Os desafios de trabalhar modelos e pessoas comuns são diametralmente opostos. Mas com o tempo vamos nos acostumando de tal modo que a resposta mais precisa seria: tanto faz!

Podemos chegar a conclusão então que não se trata de ser mais fácil ou mais complicado, e sim do tipo de sessão que estamos realizando. Por isso a resposta curta foi não, posto que sem saber o tipo de trabalho que está sendo realizado é impossível determinar se será mais eficiente utilizar uma pessoa comum ou uma modelo profissional para a sessão.

Conhecia alguns destes mitos? Este artigo serviu para te esclarecer de alguma forma? Comenta aqui quais mitos você já ouviu, vou selecionar os mais recorrentes para uma segunda versão deste post. Até mais pessoal!

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