Que história é essa de storytelling?

Duas primas andando abraçadas e conversando distraidamente no meio da rua

De tempos em tempos, somos apresentados a algum novo estrangeirismo. Não tenho nada contra, muito pelo contrário. Acredito que em um mundo cada vez mais conectado, as barreiras idiomáticas devem ser quebradas tanto quanto possível. Contudo, especialmente nas expressões que pertencem a um grupo ou nicho, é importante ter a correta compreensão do que o termo significa em sua essência.

storytelling tem surgido com força em diversos meios, especialmente no marketing digital, publicidade e na fotografia. Cada segmento terá suas nuances e formas de execução e aplicação desta técnica. No sentido mais amplo, elas convergem entre si dando forma a uma estrutura poderosa.

O que é?

Em tradução livre, o storytelling é a arte de contar histórias. A palavra-chave aqui, contrariando expectativas é “arte” e não “histórias”. Arte pressupõe que estamos trabalhando com uma metodologia organizada e racional, buscando a conclusão bem-sucedida da tarefa proposta. Falando desta forma, não se parece nem um pouco com a definição de arte que estamos acostumados a formar em nossos imaginários, mas não se enganem. É necessário muito estudo, teoria, método e esforço para produzir arte de qualidade.

No contexto da fotografia, o storytelling surgiu inicialmente nas coberturas de casamentos e aniversários de 15 anos. Estes eventos são ricos em simbologia, contexto e situações únicas, terreno mais do que fértil para que um bom contador de histórias consiga criar suas narrativas visuais. O que antes era um diferencial, logo se tornou um padrão e hoje não se imagina um fotógrafo de casamento ou de 15 anos que não domine essa técnica. Não demorou até que os demais segmentos da fotografia enxergassem no storytelling uma oportunidade não apenas de trazer algo novo ao seu trabalho, quanto de mostrar sua arte. Se bem utilizado, é um recurso que pode trazer muitas vantagens ao profissional. 

Se você não conhecia ou não sabia como utilizar o storytelling nos seus ensaios, vou passar para vocês algumas dicas para ajudar a desenvolver esta habilidade. Lembrando que não é nenhuma fórmula mágica, são apenas algumas dicas de quem já passou por este caminho e tem uma ou duas coisas para compartilhar.

Desenvolvendo a habilidade

A primeira coisa que precisamos para contar uma história é conhecê-la. Os eventos, os personagens e tudo o que os permeia. Dedicar um tempo a compreender os personagens, suas motivações, o contexto no qual estão inseridos é fundamental para que o interlocutor se sinta envolvido e querendo conhecer um pouco mais a cada descrição.

O segundo elemento é a imaginação. Trabalhando com ensaios pessoais, a maioria das vezes estamos lidando com pessoas comuns que desejam passar pela experiência de uma sessão fotográfica. Pensando nisso, não é de se estranhar que elas muitas vezes não consigam ou não se sintam à vontade de entregar aquilo que realmente gostariam de ver como o resultado da sessão. Neste caso, caberá a você preencher as lacunas ou mesmo construir tudo do zero. Um dos métodos que eu utilizo para exercitar minha criatividade é de observar o mundo ao meu redor. Já experimentou sentar em uma praça e ver quantas pessoas, quantas vidas e histórias estão acontecendo ali naquele momento? O mais interessante deste exercício é que ele pode ser feito em um ônibus lotado, na fila do supermercado ou em qualquer outro lugar. Há sempre uma história acontecendo ao seu redor, basta estar atendo e usar sua criatividade para imaginar os detalhes.

Aplicando no seu ensaio

Se você passou pelas etapas acima, a aplicação torna-se praticamente instintiva. Primeiro passo: ouvir! É a chave para um ensaio bem-sucedido. Ouça a sua cliente atentamente. Veja as palavras mais repetidas, mas ouça também as palavras não-ditas, muitas vezes elas são uma ferramenta ainda mais poderosa.

Depois de se alimentar com todas as informações que você puder extrair, é o momento de interpretar e usar sua imaginação para trazer tudo isto a realidade. Esta etapa é fundamental, não esqueça de validar com a cliente se a sua visão está indo na direção que ela espera. Afinal, tudo isso é para ela e por ela.

A cereja do bolo fica a cargo da direção. Contando uma história, você passa a não dirigir poses, mas a dirigir sentimentos. É muito mais fácil narrar uma situação e pedir que sua cliente imagine e sinta do que coordenar aquela coreografia de poses que para uma pessoa comum mais parece uma aula de yoga.

Para encerrar essa história…

Mais do que um modismo ou uma fase, o storytelling é uma ferramenta. Se bem usada, tem potencial de tornar nosso trabalho mais dinâmico e ao mesmo tempo, entregar uma experiência aos nossos clientes. Experiência é o que nós vendemos, se você acha que vende fotografia, está na hora de repensar o seu modelo de negócio com urgência!

Deixe uma resposta