5 valiosas lições que aprendi com o filme Chef

Minhas pesquisas fotográficas vêm das mais diferentes fontes. Artes, literatura e claro, cinema, estão entre as referências que costumo utilizar com mais frequência. Essa semana assisti um filme que há muito me foi recomendado e só agora dei a devida atenção. Trata-se de Chef, um filme de 2014 produzido, dirigido e protagonizado por Jon Favreau.

Resisti um pouco ao filme por se tratar de um road movie, gênero que não me agrada nem um pouco, salvo raríssimas exceções. Mas não me arrependi, é leve e divertido. Foi uma experiência muito interessante ver alguns dos Vingadores da Marvel em uma comédia nesse estilo. O mais legal é que além da diversão, o filme me trouxe muitas reflexões, que consegui sintetizar em 5 lições que compartilho com vocês neste artigo.

Você é a sua profissão o tempo todo

Carl, personagem principal vivido pelo próprio Jon Favreau, é um chef que beira a obsessão. Ele é extremamente dedicado e mais do que isso, vive sua profissão em tempo integral. Isto fica mais evidenciado em uma cena na qual Carl prepara um sanduíche para o seu filho. O modo como ele prepara o lanche é uma verdadeira obra de arte. Não é por estar na cozinha de casa, preparando algo simples para uma criança que ele deixa de cozinhar com toda sua técnica e esmero. É de fato uma das cenas mais bonitas do filme. 

Imediatamente me lembrei de quantas vezes pegamos o celular displicentemente apenas por ser uma foto “simples”. Não existe foto simples depois que se é um fotógrafo, você é a sua profissão tempo integral. Então a falta de recursos do equipamento que cai em suas mãos não é desculpa para descuidar daquilo que está sob o seu controle como enquadramento e principalmente, nosso olhar fotográfico.

That hurts

Um pequeno e inofensivo spoiler: depois de uma crítica duríssima do maior crítico de gastronomia da cidade, nosso herói tem uma acalorada discussão com seu algoz onde ele resumidamente ele explica que as críticas machucam, e muito. Ele trabalhava duro, amava o que fazia e naquele momento, estava fazendo o seu melhor. Então aquelas palavras debochadas e ofensivas causavam um impacto enorme na autoestima. Isso não significa que as críticas estavam erradas, mas que a forma de criticar estava causando estragos ao invés de ajudar. 

Vejo constantemente em grupos de Facebook críticas ácidas, que não contribuem em nada para o crescimento do colega. Algumas delas chegam a ser maldosas e desnecessárias. Se a nossa intenção é ajudar, devemos fazer todas as críticas que são pertinentes, mas também devemos lembrar que do outro lado há um ser humano fazendo o seu melhor. Se o seu melhor ainda não é suficiente para lhe colocar em um patamar ideal, é mais produtivo apontar a direção correta para a pessoa e permitir que ela evolua no seu tempo.

Excelência acima de tudo

No momento mais didático do filme, Percy, o filho do personagem principal comete um erro na cozinha e está prestes e entregar o produto mesmo assim. Ao ver tal ação, o pai o interpela sobre sua atitude e ele justifica dizendo que é uma degustação, logo, é “de graça”. O pai explica ao menino que não importa onde nem como, devemos trabalhar com excelência independente de qualquer coisa.

Essa é uma lição muito direta, não precisa de grandes explicações. Mas trazendo para a nossa realidade de fotógrafos, me lembrou um mantra que eu sigo até hoje religiosamente: cliente não pode ver foto ruim! Claro que vamos cometer erros, mas o seu cliente deve ver apenas fotos das quais você se orgulha, que de fato representam o seu trabalho. Então muito cuidado com a pré-seleção de suas imagens. Outro ponto importante é que cliente é todo aquele que está do outro lado das lentes, não importa se é uma sessão de portfólio ou uma sessão paga. Permuta não é desculpa para trabalho displicente. 

Confie no seu produto, mas ouça o mercado

Carl sabe que tem talento, mas ele está constantemente colocando este talento a prova, submetendo seu trabalho a opinião de seus pares e do mercado. Ao iniciar o food truck, ele confia na receita, mesmo assim faz um teste inicial para saber se a aceitação será positiva. Mesmo depois deste teste, o uso das redes sociais é peça fundamental no sucesso de seu novo trabalho. Para nós fotógrafos, claro que as redes sociais são parte fundamental do nosso trabalho. Mas nem sempre paramos para ouvir o que o mercado tem a dizer.

Ouvir o mercado não significa seguir tendências, mas compreender o porquê de tal tendência estar em alta para poder a partir daí, construir a sua própria interpretação deste desejo. Isso vai te tornar alguém desejado, único, com personalidade. Alguns mais puristas costumas dizer que boas fotos são atemporais, por isso são contra edições ou composições que sigam uma moda passageira. Eu digo que isso é pura besteira, foto boa é foto que o cliente gosta, paga e ainda te recomenda para mais 5 amigos.

Conheça seu objeto de trabalho

Nas cenas pós-créditos, podemos ver Jon Favreau recebendo uma aula de um chef sobre como fazer o tal sanduíche que eu mencionei no primeiro item. Ele de fato foi compreender cada passo, cada elemento para poder interpretar e dar veracidade ao seu personagem, coisa que o fez com maestria. Fica claro que ele recebeu instruções e compreendeu a dinâmica de uma cozinha o suficiente para reconhecer os elementos, processos e movimentos.

Como fotógrafos temos a mesma obrigação. Se você é um fotógrafo de casamentos, deve conhecer todo o cerimonial ao menos das duas principais religiões do país. Se você é um fotógrafo de moda, tem obrigação de conhecer tendências, os clássicos e as combinações de modo que você seja capaz de ver quando algo não esteja adequado ao ensaio. O mesmo vale para fotógrafo de gastronomia, tem obrigado de pelo menos conhecer os pratos, seus ingredientes e modo de preparo.

BÔNUS: Sofia Vergara

Sofia Vergara in CHEF, featuring Jon Favreau, Sofia Vergara, Scarlett Johansson, John Leguizamo, Bobby Cannavale, Dustin Hoffman, Oliver Platt, Robert Downey Jr and young actor Emjay Anthony.

Se você é daqueles que pensa que em um filme com a Scarlett Johansson nenhuma outra atriz feminina conseguiria brilhar, pode esquecer. Sofia Vergara é uma mulher belíssima que roubaria a cena ainda que não fosse a principal. Aliás, não é incomum ver uma atriz secundária roubando a cena por sua beleza (Madelaine Petsch em Riverdale, Candice Accola em TWD, Gal Gadot em Velozes e Furiosos…), mas Sofia é a atriz principal e é de fato uma das melhores coisas do filme. Não há um único frame em que ela não aparece bela, mesmo nos momentos mais simples. 

Então era isso que eu tinha para compartilhar com vocês hoje, gostaram das dicas? Deixem aqui nos comentários suas dicas de filmes inspiradores e até a próxima!

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